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9357km de segredos pelo Maranhão

Obra “9357km de segredos pelo Maranhão” contém imagens, segredos e curiosidades

sobre os 217 municípios do estado visitados pela autora

Os milhares de quilômetros percorridos pela fotógrafa paulistana Bianca Cutait, em 2005, pelo estado do Maranhão, foram, no mínimo, curiosos. Por meio de um processo criativo onde os textos são escritos com seus próprios punhos, Cutait une imagens e palavras num debate analítico sobre a realidade no livro “9357km de segredos pelo Maranhão”, lançamento da Editora Decor. Durante aquele ano, Bianca percorreu os 217 municípios maranhenses munida de uma máquina fotográfica e de uma identificação impar com os costumes e anseios da população maranhense. Passou por incontáveis povoados e a natureza, tão presente ao seu redor, foi apenas cenário de diversas histórias vividas pela autora. “Quando me perguntam por que escolhi o Maranhão, não sei responder muito bem. Sinto que brotou um chamado repentino dentro de mim. Surgirão uma energia e sintonia muito grandes com a região e o povo para que eu iniciasse essa experiência. Assim, meus medos e minhas inseguranças eram praticamente eliminados durante todo o percurso, só pelo fato de existir, dentro de mim, a certeza de que o momento era de uma missão”, explica.

Nessa trajetória, Bianca Cutait se deparou com diversas dificuldades, como contrair dengue e adentrar uma aldeia indígena hostil, onde não foi muito bem recebida. A maioria de seus textos, no entanto, relata apenas as belezas e sutilezas que um lugarejo mais simples pode oferecer, enquanto suas fotos captam o dia a dia de uma população sofrida e feliz, sem queixas da vida que lhes é imposta pela realidade. Na capital São Luis, Cutait fez sua base, e de lá saia para desbravar quilômetros a fio de um estado muito conhecido apenas pelos seus Lençóis Maranhenses.

No livro, a autora estuda a fundo a relação das pessoas com o ambiente em que elas vivem, sempre procurando compreender as diferenças abruptas de noção de realidade que um mesmo país, imenso como o Brasil, pode abrigar. Ao sair de seu habitat, a cidade de São Paulo, Bianca deixou para trás o caos paulistano e encontrou a calma maranhense, ou como ela relata, a paz. As características e transformações ungidas nela mesma, assim como seus significados, são traduzidos por uma coleção de fotografias coletadas em três fases diferentes de sua vida.

O registro fotográfico que Bianca Cutait apresenta leva o leitor a locais insólitos, muitos dos quais nunca ninguém pensaria em ir. “Este lugares passam a ser quase elementos de composição de um sonho, assim como seus personagens. Em algumas imagens, retratei pessoas que nunca verão, jamais, suas próprias fotos impressas, mas que tiveram, por um instante, suas almas reais registradas”, relata a autora. Nessa linha, Cutait exibe perfis de desconhecidos que cruzaram seus caminhos e, a partir desse livro, estão eternizados em suas imagens e textos.